A região mais
conhecida do mundo " Bordeaux "
A região de Bordéus,
na França, é a segunda maior área de cultivo de vinhos em todo o mundo, com 284.320 acres de vinhedos e treze
mil viticultores. Apenas a região do Languedoc, também na França, com 617.750 acres de vinhedos
plantados, é maior.
Com uma produção anual de
mais de 700 milhões de garrafas, Bordeaux produz uma quantidade
enorme de vinhos de mesa para o dia-a-dia, bem como,também, os mais
caros e prestigiados vinhos do mundo. Os vinhos tintos e Doce branco (Sauternes)
fundamentam a reputação dos vinhos bordaleses, ainda assim,
Bordeaux produz vinhos brancos, vinhos rosés e vinhos espumantes, estes últimos denominados 'Crémant de
Bordeaux'.
A maior razão para o sucesso
da produção vinícola bordalesa é o ambiente excelente para o
desenvolvimento de vinhedos. A base geológica do solo da região é
de pedra calcária, o que representa um solo de estrutura rica em
cálcio. Os cursos dos rios Garonne e Dordogne,
que irrigam a terra, e o clima litorâneo, que propicia umidade à
atmosfera, concorrem para a criação de um ambiente quase perfeito
para a cultura de vinhedos.
Seus vinhos tintos são
conhecidos como
claret no Reino Unido, é geralmente feito com uma mistura de uvas. As uvas
permitidas são: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot, Malbec e Carmenére, contudo, a uva Malbec é
raramente usada e a uva Carmenére está, agora, virtualmente extinta da região de
Bordeaux.
O branco bordalês é feito a
partir das uvas: Sauvignon Blanc,
Semillon e
Muscadelle.
Sua história
provavelmente, teve início por volta do ano 48 a.C, durante a
ocupação romana de
St.
Émilion, quando
o Império romano estabeleceu vinhedos para o cultivo de
vinho para seus soldados. Entretanto, apenas em 71 d.C, foram
registradas as primeiras evidências da existência de vinhedos na
região de Bordeaux. As primeiras grandes extensões de vinhedos franceses,
criados por Roma, em torno de 122 d.C, localizavam-se na atual
região de Languedoc.
Embora popular no mercado
doméstico, o vinho francês era raramente exportado, devido à
extensão das áreas cultivadas e volume da produção serem
relativamente baixos. No século XII, porém, a popularidade dos
vinhos bordaleses cresceu vertiginosamente depois do casamento
de
Henry Plantagenet
e
Aliénor
d'Aquitaine.
Ao mesmo tempo em que a
popularidade dos vinhos crescia, os vinhedos se expandiam para
comportar a demanda do exterior. Sendo Henry II o beneficiário dos
impostos na região, e desejando ele o incremento da indústria do
vinho, os impostos de exportação da Aquitânia para a Inglaterra
foram abolidos. Entre os séculos XIII e XIV, um código de práticas
comerciais chamado Política de vinhos foi estabelecido
para conferir, ao vinho da região, vantagens comerciais perante
regiões circunvizinhas.
Em 1725,
a propagação intensa de vinhedos por toda a região de
Bordeaux fez necessária a implementação de divisões da região em
áreas específicas, assim, o consumidor poderia saber, exatamente,
onde havia cada vinho sido produzido. O ajuntamento desses novos
distritos era conhecido como
Vinhedos bordaleses
e as garrafas eram rotuladas com
o selo da região e do distrito onde foram produzidos os
vinhos.
Devido a natureza lucrativa
do negócio, outras áreas na França iniciaram a cultura de vinhedos, rotulando-os como
produtos bordaleses. Como os lucros na região da Aquitânia esmaeciam, os vitivinicultores exigiram do governo
uma lei que determinasse apenas os produtores da
Região de Bordeaux
habilitados a usar essa
denominação de origem.
Em 1936,
o governo atendeu aos apelos dos produtores e dispôs, através de
lei, que todas as regiões vitivinícolas francesas deveriam indicar
no rótulo das garrafas a região onde foi o vinho
produzido.
A região vitivinícola de
Bordeaux é dividida em sub-regiões, entre elas estão:
Saint
Émilion,
Pomerol,
Médoc e Graves.
Em 1855, um
sistema de qualificação, conhecido como Classificação Oficial
do Vinho Bordalês, classificou os vinhos em cinco categorias
que levavam em consideração o preço dos vinhos. Os tintos
Premier Cru
(quatro do Médoc e um, Château
Haut-Brion, de Graves) estão entre os mais caros vinhos de todo o
mundo.
Os
Premier Cru
são:
Em 1955, a AOC(Appellation
d'Origine Contrôlée, rotulação de origem controlada)
Saint Émilion
foi classificada, o que criou
duas novas classes de
Premier Cru
classe A:
Pomerol nunca foi
oficialmente classificada, mas os vinhos de suas melhores
propriedades, como o Château Pétrus e
Château Le
Pin, atingem preços
bastante altos, frequentemente mais altos, inclusive, dos que os
alcançados pelos
Premier
Cru.
Sauternes é uma sub-região do Graves conhecida por seu, intensamente doce, vinho branco de
sobremesa, assim como os do
Château
d'Yquem. O intenso
doce é resultado da ação do
Botrytis
Cinerea, um fungo
conhecido popularmente pela denominação - 'nobre
podridão'
Muitos críticos, inclusive o
americano Robert Parker, acreditam que a classificação de 1855 está
desatualizada e defendem que uma nova classificação seria do
interesse dos consumidores em geral. À parte das discussões, a
classificação de 1855 foi baseada, completamente, apenas nos preços
dos vinhos. Desde de 1855, produtores compraram e venderam
vinhedos; outros prestigiados produtores morreram; e muitas outras
mudanças significativas ocorreram.
Em 1961, o governo francês
decidiu rever a classificação e deliu dezessete 'Châteaux'. No
final, a reclassificação proposta nunca aconteceu porque o governo
se rendeu à pressão política exercida pelos proprietários de
'Châteaux' afetados, temerosos de que as mudanças significassem a
diminuição dos preços, àquela época praticados. Certamente, há
alguns vinhos não tão bons quanto a sua classificação apregoa aos
consumidores, todavia, há, também, muitos produtores, com pouco ou
nenhum reconhecimento de acordo com a classificação de 1855, que
produzem vinhos de excelente qualidade.
Não obstante,
generalizadamente, os vinhos
Premier Cru
são tidos, pelo público e
crítica, como dos mais finos do mundo.
Classificação de 1855 dos vinhos de
Bordeaux
- Premiers Grands Crus -
Haut-Brion • Lafite Rothschild • Latour • Margaux
• Mouton Rothschild (1973)
- Deuxièmes Grands Crus -
Baron Pichon-Longueville • Brane-Cantenac • Cos
d'Estournel • Ducru-Beaucaillou • Durfort-Vivens •
Gruaud-Larose • Lascombes • Léoville Barton •
Léoville Las Cases • Léoville Poyferré • Montrose •
Pichon Longueville Comtesse de Lalande • Rauzan-Gassies •
Rauzan-Ségla
- Troisièmes Grands Crus -
Boyd-Cantenac • Calon-Ségur • Cantenac-Brown •
Desmirail • Ferrière • Giscours • Issan •
Kirwan • La Lagune • Lagrange • Langoa Barton •
Malescot St. Exupéry • Marquis d'Alesme Becker •
Palmer
- Quatrièmes Grands Crus -
Beychevelle • Branaire-Ducru • Lafon-Rochet •
Duhart-Milon-Rothschild • Marquis de Terme • Pouget
• Prieuré-Lichine • Saint-Pierre • Talbot • La
Tour Carnet
- Cinquièmes Grands Crus -
d'Armailhac • Batailley • Belgrave • de Camensac
• Cantemerle (1856) • Clerc-Milon • Cos Labory
• Croizet Bages • Dauzac • Grand-Puy-Ducasse •
Grand-Puy-Lacoste • Haut-Bages Libéral • Haut-Batailley
• Lynch-Bages Lynch-Moussas • Pédesclaux •
Pontet-Canet • du Tertre
- Sauternes et Barsac
Premier
-
- Cru Supérieur: Yquem
- Premiers Crus: Climens • Coutet •
Guiraud • La Tour-Blanche • Haut-Peyraguey •
Lafaurie-Peyraguey • Rabaud-Promis • Rayne-Vigneau •
Rieussec • Sigalas-Rabaud • Suduiraut
- Deuxièmes Crus: d'Arche • Broustet
• Caillou Doisy Daëne • Doisy-Dubroca •
Doisy-Védrines • Filhot • Lamothe • de Malle •
Myrat • Nairac • Romer • Romer du Hayot •
Suau
Saúde á todos!
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